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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Se não é para o povo, para quem é o esporte?

por Danielle Sampaio e Suellen Arruda*

Enquanto isso no país do futebol, do samba, e da “cidade maravilhosa”, alguém sabe qual vai ser o mascote que representará a Copa de 2014 sediada no Brasil?? Será o Saci-Pererê ou o Pelézinho? Acho que vai ser a Ararajuba! Lógico, nada mais genuinamente brasileiro que uma arara verde e amarelo para representar o Brasil! Era para estarmos comemorando!

Afinal, a copa é nossa! Porém, essa não é e não será a realidade de boa parte das famílias pobres do nosso país. Muitos começam a perceber que estes mega-eventos não estão a serviço do povo.

Hoje a FIFA (Federação Internacional de Futebol) fatura 4,6 milhões de dólares só com o evento mundial! E por falar em mundial, no dia 31 de julho aconteceu o sorteio das eliminatórias da Copa de 2014, que foi transmitido pela emissora rede Globo. O evento custou R$30 milhões, pagos pela empresa de turismo da prefeitura do Rio de Janeiro e pela secretária de esporte e lazer do estado. Esse dinheiro foi destinado ao Comitê Organizador da Copa, presidido pelo cartola-mor Ricardo Teixeira, pela Geo Eventos e o grupo empresarial organizações Globo. Nesse sentido, o Governador Sérgio Cabral e o Prefeito Eduardo Paes gastam R$ 30 milhões do povo com o evento não para gerar bem–estar para os trabalhadores e jovens da comunidade, mas com objetivo de lucrar com a especulação imobiliária milionária.

Mais uma vez se vê o dinheiro da população saindo dos cofres públicos ilegalmente para os bolsos das Organizações Globo e cartolas do futebol como Ricardo Teixeira. Esses setores estão ganhando rios de dinheiro às custas dos trabalhadores e da remoção de famílias pobres de suas casas.

Enquanto isso, na Terra da Luz.... O governador Cid Gomes foi pessoalmente à comunidade Aldacir Barbosa, que fica na área nobre de Fortaleza, na tentativa de fazer acordo com as famílias pra que se retirem das suas casas. Hoje moram cerca de mil famílias no local. Mas ele não foi sozinho, tratou de levar todos os seus aliados: o deputado Ivo Gomes; o procurador geral do Estado Fernando Oliveira; o presidente do Trem Metropolitano de Fortaleza (Metrofor), Rômulo Fortes; o secretario da Infraestrutura do Ceará, Adail Fontenelle; e o superintendente de Meio Ambiente, José Ricardo Araújo.

Mas o que o governador e essas autoridades foram fazer na comunidade na última terça-feira às 8h da noite, com 30 seguranças armados??

Segundo moradores da comunidade, o governador entrou em cinco casas, defendeu seu projeto e ainda ameaçou: ou aceitavam as indenizações de 10 mil reais, em média, ou seriam realocados em algum conjunto habitacional. Ou seja, a proposta é fazer uma higienização do bairro, tirar a parte pobre para longe dos olhos por onde vão passar os futuros turistas.

Houve até agressão física, e duas mulheres relatam ter sido agredidas por seguranças do governador -uma torceu o braço e a outra foi empurrada, caiu e machucou o cotovelo. Um absurdo!

Hoje temos 22 comunidades que estão ameaçadas de remoção devido às obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O que essas famílias vão fazer com apenas 10 mil reais, valor esse que é insuficiente para comprar outro imóvel na capital?

Enquanto isso, a obra para a Copa de 2014 está orçada em 265 milhões de reais, dos quais 90,2 devem ser destinados a indenizações...

Desse modo, o esporte, que era pra ser um momento de lazer da classe trabalhadora e da juventude, hoje nos mostra que quem paga a conta dos mega-esportivos somos nós:  trabalhadores, estudantes e professores que sentem as conseqüências dos cortes de verbas que deveriam ir para educação, saúde, transporte e moradia.

É diante dessa realidade que nós, da Assembleia Nacional de Estudantes - Livre! reivindicamos:
  •     Não às remoções das comunidades para especulação imobiliária da Copa.
  •     Contra a roubalheira nas obras da Copa!
  •     Cabral e Dilma, chega de dar dinheiro público para as empreiteiras!
  •     Não a flexibilização das licitações das obras pela MP-527. Transparência já!
  •     Condições dignas de trabalho para os operários das obras dos mega-eventos!
Queremos moradia, saúde e educação!

*Danielle e Suellen são estudantes de Educação Física na FIC-Estácio e constróem a ANEL-CE.


domingo, 24 de julho de 2011

Plano Nacional da (Des)Educação

 por Diego Paulino*

O Banco Mundial é uma instituição que foi criada, principalmente, para financiar os projetos de expansão de infraestrutura dos países em desenvolvimento e, em troca, esses países são obrigados a permitirem a entrada da política neoliberal dos grandes polos econômicos que estão por trás do banco.

No tocante a educação, o Banco mundial tem projetos, elaborados por economistas, com traços neoliberais e imperialistas bem marcantes, denunciando, o caráter comercial que eles veem na educação.

Alguns desses traços devem ser debatidos com mais afinco.

É o caso da Lei “Custo x Beneficio” que rege esse projeto educacional, que prioriza maiores quantidade com menores custos (um professor que ensina trinta alunos pode ensinar cinquenta).

Tem, também, o sucateamento dos profissionais da educação, uma vez que, todo recurso humano é visto pelo banco como um problema em potencial, pois tais profissionais tendem a não aceitar com passividade as “regras do jogo” ditadas pelo banco (baixos salários e condições pífias de trabalho, por exemplo).

Não podemos esquecer da ‘pragmatização’ da educação empregada pelo banco, que visa a montagem de um exército de mão-de-obra barata minimamente qualificada do qual as grandes empresas possam usufruir para lucrarem e se expandirem.

E, ainda, a privatização das Universidades. Passar o ensino superior para as mãos dos grandes empresários, além de representar lucros, acaba isentando o Estado de tal responsabilidade.

Ainda no governo de FHC, o Brasil alegou não ter capital para investir em alguns setores sociais, como a educação. Logo, recorreu ao Banco Mundial e, dessa forma, além de aumentar a dívida externa do país, implantou no país os projetos educacionais propostos pelo Banco Mundial.

Tem inicio uma verdadeira contra-reforma educacional brasileira que se agrava com o passar dos anos e com as mudanças de governos.

O Governo Lula lança um projeto educacional de aparente melhoria do Ensino Público, mas que em sua essência são verdadeiras manobras de implantes das políticas educacionais do Banco Mundial.

O REUNI (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), por exemplo, obriga que as Universidades dobre o número de vagas sem, porém, oferecer verba proporcional a esse aumento. O que se torna um suicídio do ensino público superior e ajuda o governo a justificar seu apoio as iniciativas privadas: “Apoiamos a expansão do Ensino Superior Privado, pois o Estado não tem condições de promover tal expansão no Ensino Público”.

Como o REUNI, temos outros programas do governo que ajudam a caminhada para a privatização do ensino superior, como ProUni (Programa Universidade para Todos), na qual cada aluno “contemplado” custa à União o mesmo valor que três alunos que estão no ensino superior público.

Não podemos esquecer o Novo ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), que muda o processo seletivo de acesso às universidades públicas e, consequentemente, obriga as instituições de ensino privado mudar suas metodologias de ensino para que possam se adaptar a esse “novo vestibular”. Porém, essa mesma mudança de metodologia de ensino não ocorre nas unidades públicas de ensino médio o que implica um distanciamento ainda maior entre o aluno que não pode pagar por um ensino médio em uma unidade privada e a universidade.

Temos ainda o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e do Emprego), que vem sendo reforçado nos últimos meses, e se configura em mais um programa que reforça as ideias neoliberais do projeto educacional do Banco Mundial.

Somando-se a tudo isso temos um problema tão grave quanto os já discorridos: a percentagem do PIB destinado à educação, atualmente, não chega sequer aos 5%, o que justifica os salários miseráveis que são oferecidos aos professores e as péssimas condições em que se encontra a educação brasileira.

O PNE proposto pelo governo Dilma representa um ataque ainda mais grave à educação brasileira, pois incorpora como política de estado todos esses programas educacionais que foram implantados no governo Lula o que, na prática, significam uma contra-reforma da educação e uma forte aproximação dos laços entre o projeto educacional nacional e um projeto educacional que representa um verdadeiro distanciamento do ensino público, gratuito, universal e de qualidade.

Não podemos aceitar um Plano Nacional de Educação que se curve às leis de mercado e que põe em risco a emancipação da sociedade brasileira.

Todos juntos contra o PNE de Dilma e por 10% do PIB para educação, JÁ!! 

*Diego é estudante de Letras e compõe a Comissão Executiva provisória da ANEL-CE.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Anel-CE construindo a Campanha "Chega de Sufoco!"


O transporte coletivo de Fortaleza está um caos. Os ônibus são poucos, estão sempre lotados; os engarrafamentos estão cada vez mais longos; as filas são imensas e o tempo de espera é cada vez maior. O calor e o desconforto nas cadeiras é sentido por todos os usuários. 

A prefeita Luizianne Lins (PT) autorizou aumento de quase 12%, elevando a passagem para R$ 2,00. O aumento não melhorou a qualidade do transporte e com o transporte mais caro a prefeita faz a Fortaleza Bela para os empresários. 

Já os trabalhadores rodoviários, que estão trabalhando cada vez mais, ficando cansados e  doentes, seguem na Campanha Salarial 2011, numa luta justa por melhorias nos salários e condições de trabalho. 

Diante desse contexto, a Prefeitura e os empresários (tendo ao seu lado a mídia e o aparato repressor que criminalizam a luta dos trabalhadores e da juventude) tentam culpar os rodoviários e seu Sindicato pelo caos no transporte coletivo de Fortaleza!

É no sentido de denunciar essa situação que o Sindicato dos Rodoviário (Sintro-CE ) e a CSP-Conlutas, juntamente com a Anel-CE, estão realizando uma campanha pela melhoria dos transportes nos terminais e nos locais de trabalho. Exigimos, assim, dos empresários de ônibus e da prefeita Luizianne Lins melhoria no transporte, mas também melhores condições de trabalho para os rodoviários. 

A Anel, que no seu último Congresso reafirmou seu compromisso de lutar junto à classe trabalhadora, vem aqui no Ceará, a partir de falas, panfletos e adesivos, mostrar que a luta dos rodoviários e dos estudantes é uma só!


Todo apoio à luta dos Rodoviários!
Chega de Sufoco! População e Rodoviários juntos por mais ônibus e mais direitos!

Materiais que estão sendo divulgados:
Adesivo da Campanha

Panfleto da Campanha
Clique nas imagens para ampliar.

Mais informações sobre a Campanha Salarial aqui:  http://sintroce.com.br/

sábado, 9 de julho de 2011

Carta à Injustiça Social

"NÃO SOU CAPACHO DO governo federal, SOU ESTUDANTE LIVRE DA ASSEMBLEIA NACIONAL"

Por Roberta Dominici*
À caríssima senhora, Injustiça Social.

Venho por meio desta, cordialmente dizer-lhe quem são estes baderneiros, senhora. Pedimos que não se sentisse agredida, por enquanto, já que estamos apenas começando nossa guerra possante de línguas de fogo.

Viemos trazer à sua ciência a resposta da pergunta que fizeste ao ver-nos caminhando a passos pesados e ligeiros procurando fita durex e caneta colorida para assim nos armar contra ti. Assustaste? Sabemos que sim. É claro que ficarias preocupada, mesmo porque somos... Calma...

Observaste nossas correrias, nossa rifa, e o passar de horas a fio pedindo dinheiro nos sinais de trânsito, depois contando cada centavo como se os tivéssemos ganhado na loteria. Alguns de nós, a perder aulas na faculdade, outros saindo direto do trabalho para os ditos pedágios. Fizemos reuniões várias vezes por semana. Preparamos coisas para dizer, coisas para fazer, alguns choraram e se recompuseram rapidamente. Sim, somos um bando de conspiradores e estamos todos contra você.

Tentaste até nos derrubar no último momento antes do que seria nosso primeiro grande golpe contra sua existência. Por conta disso alguns não estiveram presentes no evento meticuloso que organizamos, por outros motivos pessoas extremamente importantes para nós também não estiveram. Tivemos crises de ódio, falamos palavrões consecutivos (expressões horrorosas!), mas você não sabia não é? Somos altamente perigosos e perigosas, e pior, somos birrentos, altamente birrentos e vorazes, pessoas que podem e nessa leva um dia vão acabar com a sua vida. É este o nosso projeto.

Acordamos cedo e marcamos um encontro, pegamos um ônibus, atônitos e cheios de amor e ódio. No caminho, o pneu furou (estamos rindo disto), não gastamos energia com raivinhas, fomos jogar bola ou dormir. Dois dias de viagem e chegamos.

Estávamos sedentos de... Algo que não sei de exato o quê, mas faço uma idéia. Dois dias num ônibus. Poderíamos ter nos irritado, mas nossa sede de vingança é tanta, que nos fez organizar debates durante a viagem, foram intervenções cambaleantes nos buracos da estrada, porém sólidas e violentas no conteúdo.
Chegamos ao nosso destino numa noite fria, e calculistas nos destinamos ao jantar, ansiosos e prepotentes. Iniciamos no dia seguinte nossa trajetória de guerra. Fizemos intervenções avassaladoras, tiramos atos grandiosos, reclamamos e propusemos soluções, exigimos sermos escutados e atendidos. Compramos camisas com poesias e frases de luta e as exibimos com êxito. Pela noite nos encaminhávamos às festas, bebidas e aos amores que qualquer viagem proporcionaria, porém, mesmo na madrugada fria que se fazia quente por conta dos corpos que se colavam, sabíamos por que estávamos ali, sabíamos o que queríamos e sem dúvida lutaríamos novamente assim que amanhecesse.

Houve no último dia, deste nosso início, uma Plenária “final”, onde consolidamos nossas decisões tiradas nos grupos de debate. Lemos cada proposta com atenção, levantamos nossos crachás com fé, uma fé inenarrável num futuro magistral, que é o que queremos e merecemos.

Gritamos com afinco palavras de ordem, que refletiam nossa indignação e levante de luta, nos enfrentamos entre si, para o nosso crescimento, discutimos, fomos provocados, e talvez provocamos, também. Fizemos alianças importantíssimas com a classe trabalhadora, explorada como nós, nossos pais e professores, e até com a polícia. Sem falsa modéstia, uma ação de alta esperteza de nossa parte.

Ficamos roucos, mas não paramos de falar, aliás, como sempre acontece nessa redoma cortante que é a casa onde tu nos prendeste há anos, e de onde queremos sair. Ficamos doentes, e saímos doentes para te combater, esquecendo deste fato. As doenças se tornaram todas secundárias, porque o que nos interessava, era e é o simples fato de que queremos a sua cabeça numa bandeja, para assim atear fogo nela.

Terminamos o evento, não com a sensação de dever cumprido, mas de dever iniciado a se cumprir, queremos sempre mais.

Na volta, o cansaço nos agarrava, porém nada que impedisse a ciência de todos, de que precisaríamos de mais um debate, para um breve balanço. Era unânime, ou pelo menos quase, o fato do evento ter sido magnífico.

Hoje, estamos em casa, de volta à vida normal: trabalho, escola, faculdade. Ainda temos no corpo as marcas de uma semana de energias gastas, estamos nos recuperando. Na alma, a sensação de vitória de uma batalha vencida. Imagino como esteja a senhora. Sim. Alguns pontos na cabeça, um braço, perna ou dente quebrado, aqui e ali. Perdoe a sinceridade, mas ficamos extremamente felizes por suas dores. Como se diz aqui no Ceará: “começa assim, depois piora!” E vamos nos dedicar para que piore.

Até porque, não somos um exercito com um número limitado de soldados, somos um exercito que cresce a cada dia, visto nosso evento, por volta de 1.700 estudantes, universitários e secundaristas de 23 estados do país. Todos, volto a dizer, com o projeto de sua morte imediata. Nossas armas? Nossas línguas de fogo, que atravessam mundos por sua força, nossos cérebros dotados de inteligência e perspicácia, nossas mãos calejadas do trabalho árduo, nossos pés cansados que andam à cata de alimento libertário, nossa sede de vingança e o ódio com o qual tu nos criaste desde crianças.

E nossa luta não termina aqui, começa. Estamos atrás de você, e vamos te pegar. Isso não é uma ameaça, é um aviso.

Nasce uma nova organização de estudantes. Estudantes que são todos, ao mesmo tempo, professores, pedreiros, bombeiros, servidores públicos, trabalhadores explorados por você há tantos anos. Estudantes, pessoas sedentos de vingança. Pessoas cansadas de ver tua cara de pau por toda parte da cidade, pessoas conscientes e que conscientizam, exaustas do contraste que tu causas em nossos lugares, em nosso país, em nosso mundo. Fatigados dessa terra sem dono, sem justiça. Desse sistema que gera dor, fome, miséria, cansados e cansadas, dessa exploração, dessas opressões, desses medos cotidianos. Só queremos o fim desse sofrimento. Só queremos não ouvir mais o seu nome, cara destinatária. E vamos lutar para isso.

Somos lutadores e lutadoras, militantes, da Assembléia Nacional dos Estudantes, e mais, somos livres e queremos ser mais ainda. Livres de você.

* Estudante de Letras na UFC que constrói a ANEL - CE.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Por que aplicar já 10% do PIB nacional na Educação Pública?


A Comissão Executiva Nacional da Anel publica abaixo a carta de lançamento da Campanha Nacional pelos 10% do PIB já para a Educação, que já está sendo construído por diversas entidades. Chamamos para a reunião do dia 21 de julho em Brasília as entidades que quiserem fortalecer essa campanha para articular os próximos passos e a construção da Jornada de Lutas de agosto. Convidamos também todas as entidades e coletivos estudantis a assinarem esta carta: basta deixar um comentário nesse post com o nome da entidade ou enviar um email para anelonline@gmail.com que incorporamos nas assinaturas.

Saudações Estudantis Livres!
Comissão Executiva Nacional
Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre
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Carta de Lançamento da Campanha Nacional
Por que aplicar já 10% do PIB nacional na Educação Pública?

A educação é um direito fundamental de todas as pessoas. Possibilita maior protagonismo no campo da cultura, da arte, da ciência e da tecnologia, fomenta a imaginação criadora e, por isso, amplia a consciência social comprometida com as transformações sociais em prol de uma sociedade justa e igualitária. Por isso, a luta dos trabalhadores na constituinte buscou assegurá-la como “direito de todos e dever do Estado”.

No entanto, o Estado brasileiro, por expressar os interesses dos ‘donos do poder’, não cumpre sua obrigação Constitucional. O Brasil ostenta nesse início de século XXI, se comparado com outros países, incluindo vizinhos de América Latina, uma situação educacional inaceitável: mais de 14 milhões de analfabetos totais e 29,5 milhões de analfabetos funcionais (PNAD/2009/IBGE) – cerca de um quarto da população – alijada de escolarização mínima. Esses analfabetos são basicamente provenientes de famílias de trabalhadores do campo e da cidade, notadamente negros e demais segmentos hiperexplorados da sociedade. As escolas públicas – da educação básica e superior – estão sucateadas, os trabalhadores da educação sofrem inaceitável arrocho salarial e a assistência estudantil é localizada e pífia.

Há mais de dez anos os setores organizados ligados à educação formularam o Plano Nacional de Educação – Proposta da Sociedade Brasileira (II Congresso Nacional de Educação, II Coned, Belo Horizonte/MG, 1997). Neste Plano, professores, entidades acadêmicas, sindicatos, movimentos sociais, estudantes elaboraram um cuidadoso diagnóstico da situação da educação brasileira, indicando metas concretas para a real universalização do direito de todos à educação, mas, para isso, seria necessário um mínimo de investimento público da ordem de 10% do PIB nacional. Naquele momento o Congresso Nacional aprovou 7% e, mesmo assim, este percentual foi vetado pelo governo de então, veto mantido pelo governo Lula da Silva. Hoje o Brasil aplica menos de 5% do PIB nacional em Educação. Desde então já se passaram 14 anos e a proposta de Plano Nacional de Educação em debate no Congresso Nacional define a meta de atingir 7% do PIB na Educação em … 2020!

O argumento do Ministro da Educação, em recente audiência na Câmara dos Deputados, foi o de que não há recursos para avançar mais do que isso. Essa resposta não pode ser aceita. Investir desde já 10% do PIB na educação implicaria em um aumento dos gastos do governo na área em torno de 140 bilhões de reais. O Tribunal de Contas da União acaba de informar que só no ano de 2010 o governo repassou aos grupos empresariais 144 bilhões de reais na forma de isenções e incentivos fiscais. Mais de 40 bilhões estão prometidos para as obras da Copa e Olimpíadas. O Orçamento da União de 2011 prevê 950 bilhões de reais para pagamento de juros e amortização das dívidas externa e interna (apenas entre 1º de janeiro e 17 de junho deste ano já foram gastos pelo governo 364 bilhões de reais para este fim). O problema não é falta de verbas públicas. É preciso rever as prioridades dos gastos estatais em prol dos direitos sociais universais.

Por esta razão estamos propondo a todas as organizações dos trabalhadores, a todos os setores sociais organizados, a todos(as) os(as) interessados(as) em fazer avançar a educação no Brasil, a que somemos força na realização de uma ampla campanha nacional em defesa da aplicação imediata de 10% do PIB nacional na educação pública. Assim poderíamos levar este debate a cada local de trabalho, a cada escola, a cada cidade e comunidade deste país, debater o tema com a população. Nossa proposta é, inclusive, promover um plebiscito popular (poderia ser em novembro deste ano), para que a população possa se posicionar. E dessa forma aumentar a pressão sobre as autoridades a quem cabe decidir sobre esta questão.
Convidamos as entidades e os setores interessados que discutam e definam posição sobre esta proposta. A idéia é que façamos uma reunião de entidades em Brasília (dia 21 de julho, na sede do Andes/SN). A agenda da reunião está aberta à participação de todos para que possamos construir juntos um grande movimento em prol da aplicação de 10% do PIB na educação pública, consensuando os eixos e a metodologia de construção da Campanha.

Junho de 2011.

ABEPSS, ANDES-SN, ANEL, CALET-UnB, CFESS, COLETIVO VAMOS À LUTA, CSP-CONLUTAS, CSP-CONLUTAS/DF, CSP-CONLUTAS/SP, DCE-UFF, DCE-UnB, DCE-UFRJ, ENECOS, ENESSO, EXNEL, FENED, MST, MTL, MTST/DF, MUST, OPOSIÇÃO ALTERNATIVA, CSP-CONLUTAS/RN, PRODAMOINHO, SEPE/RJ, SINASEFE, SINDREDE/BH, UNIDOS PRÁ LUTAR.

Uma missionária Homofóbica: Myrian Rios.




Com seus melhores trejeitos de atriz e em sua pior performance, a nada nobre deputada, “missionária católica” e divorciada, Myrian Rios, declarou na plenária que não poder discriminar homossexuais é “abrir uma porta para a pedofilia”.

Ao assistir às declarações de Myrian Rios, capa da Revista “Ele & Ela” (equivalente a “Playboy” da atualidade) por duas vezes, na década de 70, sobre a PEC 23, emenda que criminaliza a homofobia, eu abri o Office feito um louco para “vomitar” o meu repúdio às asneiras que ela falou. 

Mal sabia eu o quão árdua seria essa tarefa. Foram tantas asneiras, que eu não sabia por onde começar. Começarei pelo irrefutável: a Constituição.

Enquanto (pseud.) cidadã, Myrian Rios tem o direito de primar por suas crendices o quanto quiser, porém, enquanto Deputada Estadual de um País Constitucionalmente Laico, ela precisa aprender que, em território brasileiro, nenhuma religião ou preceito religioso está acima da lei.

Para falar a verdade, ela precisa aprender uma série de coisas.

A deputada homofóbica, em uma nítida manipulação proposital e antiética da opinião pública, prolonga inverdades e reclama o direito de discriminar a condição homossexual, vinculando homossexualidade a pedofilia. 

Não sei se por ignorância ou porque perdeu o juízo junto com as roupas, mas a deputada comete uma série de confusões em sua fala, como a de misturar as definições de ‘opção’ e ‘orientação’, e chega a colocar a homossexualidade como indicio de pedofilia.

A homofóbica reclama “o direito de não querer um funcionário homossexual” trabalhando para si sob a justificativa de que “uma babá lésbica [pode] cometer a pedofilia com [suas filhas]” ou, ainda, “um motorista homossexual poderia, de uma maneira ou de outra, tentar bolinar [seus filhos] e partir para uma pedofilia com os meninos”.

Por ignorância e irresponsabilidade, a deputada não sabe que a maioria esmagadora dos casos de pedofilia são praticados por heterossexuais e que é comprovado cientificamente que a maior ocorrência de abuso sexual contra “crianças e adolescentes inocentes” se dá pelos próprios pais e por figuras de autoridade que detêm a confiança deles. 

Segundo uma pesquisa no Hospital das Clínicas (HC) da Universidade de São Paulo (USP), quase 70% das crianças que sofrem abuso são vítimas de pais ou padrastos.

As declarações de Myrian Rios se enquadram tão somente em ato de discriminação e de incitação ao ódio e à violência contra homossexuais.

Não podemos sucumbir a uma sociedade machista racista heteronormativa.

*Estudante de Letras na UFC e Constrói a ANEL - CE.

terça-feira, 5 de julho de 2011

1º Congresso da ANEL: O Novo Pediu Passagem!


Declaração da Comissão Executiva Nacional - ANEL

É com enorme alegria e orgulho que a Comissão Executiva Nacional vem compartilhar uma primeira avaliação do 1º Congresso da ANEL. Realizado entre os dias 23 a 26 de junho em Seropédica, Rio de Janeiro, o Congresso foi um verdadeiro sucesso. Todos os que estiveram presentes saíram de um jeito diferente de como entraram, cheio de histórias pra contar e armados para enfrentar os novos desafios do movimento estudantil brasileiro. Marcando a consolidação da ANEL na realidade nacional e uma presença incontestável nas universidades e escolas do país, construímos com nossas próprias mãos a história e não temos dúvidas de que temos ainda um longo caminho pela frente, que só com muita dedicação e unidade entre os lutadores, irá fortalecer o movimento estudantil democrático, independente, de luta e aliado aos trabalhadores.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a representatividade do Congresso. Contou com mais de 1700 presentes e de 1100 delegados, representando milhares de estudantes das principais universidades e escolas do país. Cada um com seu kit-congresso de caderno de resoluções e contribuições, bloco, caneta e caneca da ANEL, a participação ativa de todos foi uma marca fundamental. Persistindo em discussões até tarde da noite, contribuindo em cada Grupo de Discussão com novas propostas, apresentando o acúmulo de sua entidade, ajudando na organização e limpeza do Congresso, participando com muita empolgação nas festas, todos os estudantes livres foram protagonistas do Congresso.

Logo na Mesa de Abertura, era possível identificar uma característica do Congresso: esteve ao longo de sua construção e em todos os debates de lá, colado a cada processo de luta, no nosso país e em todo o mundo. Um ponto alto na abertura foi a saudação do cabo Daciolo, do corpo dos bombeiros, que dizia que se os estudante eram bombeiros em apoio à sua luta, naquele momento ele que era estudante como nós. A servidora Ivanilda da UFRRJ, em nome do Comando de Greve da Rural, fez sua saudação também; assim como a Marina do ANDES-SN, o Cleber do sindicato da construção civil de Belém do Pará, Mancha da CSP Conlutas, Julio do DCE UFRJ, Clara da CEN, Neto do MST, Guilherme do MTST, Adriano do CA de História da UNESP-Franca. Cantando com força: “Não sou capacho do governo federal, sou estudante livre da Assembléia Nacional” iniciou-se o 1º Congresso da ANEL.

O primeiro dia de Congresso serviu para aprofundar o debate sobre a conjuntura nacional e os rumos da educação brasileira, esmiuçando nos grupos de discussão nossa compreensão sobre o novo Plano Nacional de Educação do governo Dilma, que sistematiza os principais ataques à educação que promoveu o governo Lula. Combinado com uma excelente exposição à noite da professora Amanda Gurgel, e dos professores Valério Arcary, Otaviano Helene e Nicholas Davies, chegamos a uma compreensão comum da necessidade de combater o PNE e exigir 10% do PIB para a educação já, lutando pelas melhorias em cada universidade e escola.

À tarde, nos grupos de discussão, aprofundamos os debates sobre concepção de entidade, o trabalho de base e as finanças da ANEL, pontos fundamentais no seu processo de consolidação. Nesses GDs, ressaltamos a importância do auto-financiamento do Congresso, que só foi possível graças ao suor de cada estudante que vendeu rifas, fez pedágios, campanhas financeiras com muito orgulho de construir uma entidade independente, que se recusa a receber dinheiro de empresas e governos! Nesse sentido, discutimos a importância de que a ANEL avance em sua estruturação financeira, com repasses regulares das entidades e Comissões Executivas Estaduais, além de uma contribuição individual de cada estudante livre que constrói e ANEL.

A sexta-feira iniciou com uma demonstração de solidariedade internacional da entidade. Clara Saraiva, da CEN, dividiu com todos a experiência que teve no Egito, na viagem que fez representando a ANEL. Falaram também Adrian, estudante da Espanha que participou dos protestos do 15-M, Nacho estudante da Argentina, Muhib da Palestina, Soraya palestina-brasileira que participou da 3ª Intifada, Sebastian, carteiro da Suiça, além de uma saudação de estudante do Paraguay. Ao fim, o Didi da CSP Conlutas fez uma explanação sobre a importância da solidariedade dos trabalhadores e da juventude brasileira aos processos de luta que estão ocorrendo no mundo árabe e em toda a Europa.

Sábado foi o dia dos grupos de discussão de combate às opressões, divididos entre mulheres, negros e negras e LBGT, e dos Painéis Temáticos. Foram 8 temas abordados: meio ambiente, criminalização dos movimentos sociais, violência e legalização das drogas, saúde, transporte, cultura e mídia independente, questão agrária e esportes. Foi um momento muito rico na elaboração do programa da entidade, onde todos puderam contribuir muito e ser parte ativa na construção da ANEL.

O Congresso teve uma marca muito importante, que esteve presente desde a sua construção até as discussões em Seropédica: um combate cotidiano e intransigente às opressões. A partir de casos ocorridos com alguns moradores do alojamento da universidade rural de machismo e homofobia, os estudantes se organizaram e fizeram atos que deram um verdadeiro exemplo de como deve ser o combate às opressões. E a presença desse tema com força no Congresso instaurou um clima permanente de respeito às diversidades, solidariedade entre os participantes, construção coletiva, que sem dúvida contagiou todos e todas presentes.

Por fim, no domingo, com a tristeza de estar chegando ao fim e a alegria de ter realizado um grandioso Congresso, os delegados votaram as Resoluções Congressuais. As propostas enviadas por cada GD e Painel Temático foram sistematizadas por uma comissão de entidades eleita no Congresso, e apresentadas a todo o Plenário, onde eram feitos destaques e se votava a posição da maioria dos delegados. Muito à vontade para discordar, criticar, propor novas formulações, cantar palavras de ordem, os estudantes livres foram aos poucos votando e amarrando o Programa da ANEL.

Votamos, entre outras coisas, uma estrutura de funcionamento, arrecadação financeira e trabalho de base da entidade, que sem dúvida serão fundamentais para fazer a ANEL avançar em sua presença no movimento estudantil, fortalecendo seus princípios. Aprovamos ainda a confecção de um kit anti-homofobia da ANEL, responsáveis na CEN pelo debate das opressões, e referendamos o apoio incondicional que a ANEL dá à juventude que vem se mobilizando em todo o mundo.

A principal Campanha Nacional votada pelo Congresso foi da luta contra o novo PNE do governo Dilma e em defesa dos 10% do PIB para a educação já. Encaminhamos a participação da ANEL na Jornada de Lutas de agosto, que será realizada do dia 17 ao dia 26, com uma Marcha em Brasília no dia 24, articulada com diversas entidades como a CSP Conlutas e o ANDES-SN. Convidamos desde já a esquerda da UNE a construir essa Campanha conosco, porque só com a unidade dos lutadores poderemos barrar esse projeto e conquistar a educação que queremos. Lançamos também um desafio ao Congresso da UNE: já que se diz a favor dos 10% do PIB pra educação, que venha conosco construir um Plebiscito exigindo o investimento do governo federal já. Com um Congresso que vai aplaudir de pé o PNE da Dilma e fechar os olhos pro corte de 3,1 bilhões de reais da educação, achamos difícil que a UNE aceite o desafio...

Ao canto de “Ser da ANEL, ser lutador, ai que coisa linda! O Congresso acabou...” em homenagem ao grito dos bombeiros, e numa empolgação contagiante, fizemos uma caminhada de encerramento do Congresso e as delegações prepararam as suas voltas. Saímos, sem a menor sombra de dúvida, muito mais fortalecidos e empolgados para levar adiante a construção da ANEL, ganhando novos estudantes livres, construindo no dia a dia as lutas em cada escola e universidade e fortalecendo esse instrumento de luta, que com certeza ainda vai dar muito o que falar. “Nada Será Como Antes, com a Assembléia Nacional dos Estudantes!”.

sábado, 2 de julho de 2011

Moção de apoio à greve dos servidores da UFC

De volta do vitorioso 1˚ Congresso da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), ocorrido entre os dias 23 e 26 de junho, no Rio de Janeiro, e que contou com a presença de cerca de 1.700 estudantes, viemos, agora mais fortalecidos, declarar apoio à greve dos servidores da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Tendo como um dos eixos principais a educação, no Rio nossas discussões se voltaram para a importância de compreender nossa realidade atual, em que cada vez mais se fortalece a greve dos servidores das universidades federais, que se dá pelo Brasil como um todo, numa justa luta por melhores condições de trabalho, melhores salários e contra a precarização/terceirização.

Assim como os servidores da UFC, exigimos uma educação pública e de qualidade. Reivindicamos, do governo Dilma, portanto, 10% do PIB para a educação já. Não para daqui a 10 anos, nem apenas 7% dele, como diz o novo Plano Nacional de Educação. Queremos e podemos ter 10% do PIB agora!

Entendemos que a luta dos servidores também é nossa, que juntos somos mais fortes, e que acima de tudo a aliança entre estudantes e trabalhadores precisa ser fortalecida, pois cada um de nós precisa ser sujeito da transformação. É nesse sentido que atuaremos junto à greve dos servidores da UFC: assim como apoiamos os trabalhadores da construção civil na sua aguerrida campanha salarial; os professores municipais que foram covardemente repreendidos pelo governo Luizianne Linz; e os 439 bombeiros grevistas presos por Sérgio Cabral no Rio de Janeiro.

Acreditamos que nós, estudantes e militantes da ANEL, também somos operários da construção civil, professores, bombeiros, assim como somos todos servidores federais!

Todo apoio à greve dos servidores federais da UFC e do resto do Brasil!

Fortalecer a luta em defesa da educação pública! Contra o PNE da Dilma, 10% do PIB pra educação já!

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Chega de cortes na Educação! 10% do PIB JÁ!

Neste início de ano, a volta às aulas renova as expectativas de todos nós estudantes. Nas escolas e universidades, vamos retomando os estudos, revendo os amigos e traçando novos projetos. Em particular os calouros das universidades, mesmo os que tiveram dificuldades com todas as confusões envolvendo o novo ENEM, se entusiasmam com a experiência de ingressar no ensino superior.

Graças a muita luta, as universidades públicas brasileiras ainda mantém significativa qualidade no ensino. Ainda assim, também é verdade que nem tudo é fácil. Problemas como falta de professores, estruturas físicas precárias, laboratórios insuficientes ou salas lotadas são comuns em muitos cursos. Sem falar da ausência de políticas massivas de permanência estudantil, como bolsas de estudo, bandejões para todos e alojamentos. Na medida em que o REUNI impõe que as universidades tenham verbas insuficientes para realizarem sua expansão, esses problemas vão aumentando.

Para que as universidades possam se expandir com qualidade e avancemos em soluções para os problemas relativos ao nosso ensino, deveríamos contar com um abundante investimento de verbas públicas para a educação pública. Mas, infelizmente, uma das primeiras medidas tomadas pelo governo Dilma foi a retirada de 50 bilhões do Orçamento Geral da União, o que para a educação significa 1,3 bilhão de reais a menos no orçamento das universidades e escolas.

No Brasil, vivemos ainda um período de estabilidade econômica, onde os efeitos mais fortes da crise econômica mundial não se fazem sentir com força em nosso país. Mas se a economia está crescendo (7,5 % em 2010) e se o governo propagandeia tanto “como o Brasil vai bem”, porque Dilma inaugura seu mandato anunciando cortes de verbas? Questionamos também a suspensão de concursos públicos e a desvinculação dos Hospitais Universitários das universidades.

Por tudo isso, a ANEL quer, em 2011, organizar em cada universidade e escola os estudantes brasileiros para lutar por melhores condições de ensino. Para garantir uma educação pública e de qualidade, precisamos exigir da Dilma que revogue os cortes no orçamento e garanta 10% do PIB para a educação já!

O novo pede passagem. Mais um ano se inicia e traz com ele o prenuncio de um tempo de grandes transformações. Do exemplo de luta que vem do Egito e de todo o mundo árabe, reforçamos nossa confiança na força da juventude mobilizada.

terça-feira, 15 de março de 2011

Contra o machismo e a exploração, em defesa da mulher jovem e trabalhadora!

Pela primeira vez na história do nosso país, uma mulher assume a presidência. Este fato, somado ao aumento da presença feminina no mercado de trabalho brasileiro, pode nos fazer concluir que o machismo e a tratamento da mulher como inferior ao homem pode estar diminuindo.

Mas, infelizmente, essa não é a realidade dos fatos. Em 2010, o Brasil atingiu a cifra de 10 assassinatos de mulheres por dia. A presença feminina nos postos de trabalho cresce na medida em que crescem os postos mais precarizados, ganhando menos, com menos direitos.
Apesar das propagandas, o governo Lula não mudou essa situação das mulheres trabalhadoras e o novo governo de Dilma pouco sinaliza que pode mudar: iniciou o ano garantindo um reajuste de 132% no seu próprio salário e de 62% no salário dos deputados, ao passo em que aprovou um reajuste de 6,8% no salário mínimo.

Soma-se a isso outras iniciativas como diminuir a arrecadação da previdência social diminuindo os gastos das empresas, o que combinado com outras medidas da reforma da Previdência pode afetar o conjunto dos trabalhadores e particularmente as mulheres.

Anticoncepcionais para não abortar! Aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!
A campanha eleitoral do ano passado deu indícios de como seriam tratados os direitos das mulheres tanto por parte de Serra, quanto por parte de Dilma: um direito tão caro à vida das mulheres foi tratado como moeda de troca eleitoral, ignorando a dura realidade de mais de 1 milhão de mulheres que fazem aborto no Brasil.

O aborto já é uma realidade e, portanto, deve ser obrigação dos governos a garantia de que haja toda a segurança possível para que as mulheres o façam. É uma questão de saúde pública e não um debate religioso. Algumas mulheres podem fazer aborto com segurança, em clínicas caras e pagar uma fortuna pelo procedimento. Ocorre que a maioria das mulheres não pode pagar os altos preços que a ilegalidade promove ao aborto.

De 1 milhão de mulheres que realizam o aborto, 200 mil morrem por se submeterem a terríveis condições. Dentre as mulheres que morrem, a maioria é de jovens de 18 a 24 anos. A luta pela legalização do aborto combinada à luta pela Educação sexual às jovens é uma centralidade de atuação da ANEL nas escolas e universidades brasileiras.

Reajustar o salário mínimo igual ao reajuste dos deputados!
Salário Igual para Trabalho Igual!
70% dos trabalhadores que recebem salário mínimo são mulheres. O reajuste aprovado está abaixo do Índice de custo de vida (ICV: 6,9%), índice calculado pelo DIEESE que contabiliza os custos dos itens básicos de sobrevivência. Infelizmente esta medida foi apresentada pela 1° mulher presidente do Brasil. Quando as mulheres não recebem salário mínimo, recebem em geral salários inferiores aos dos homens, na realização do mesmo trabalho.

A justificativa desse reajuste é a impossibilidade de o orçamento da União arcar com um aumento maior. É difícil acreditar nesta justificativa ao mesmo tempo em que são comprometidos 800 milhões a mais do orçamento com o reajuste exagerado dos deputados. Queremos que se gaste dinheiro com salário pro povo explorado e oprimido do nosso país!

Venha para o 1° Congresso da ANEL!
A ANEL é uma nova entidade surgida nas lutas estudantis, na defesa de uma Educação pública, gratuita e de qualidade e na luta por um mundo melhor, contra toda a forma de exploração e opressão. Entendemos que para isso, é necessário desenvolver e fortalecer uma organização independente pautada pelos interesses estudantis em nosso país. Infelizmente, a UNE se transformou em um “ministério da juventude” do governo e deixou a batalha pelos direitos da juventude brasileira.

Por isso, a ANEL surgiu e neste ano, vai realizar seu 1° Congresso. Queremos avançar em propostas pra Educação do nosso país, em propostas pra avançar na organização do movimento estudantil brasileiro e em propostas que fortaleçam a luta contra o machismo junto às mulheres trabalhadoras.

Confira o blog do Movimento Mulheres em Luta: mulheresemluta.blogspot.com

BAIXE AQUI:

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Corte em Educação está entre os três maiores, com R$ 3,1 bi de redução

O ministério da Educação teve o terceiro maior corte orçamentário entre as reduções anunciadas nesta segunda-feira, 28, pelo ministério do Planejamento.

De acordo com dados divulgados, o maior corte em valores nominais foi o do ministério das Cidades, que terá menos R$ 8,58 bilhões em sua disponibilidade para este ano. O alto valor foi determinado principalmente pelo corte em emendas parlamentares e pela redução de R$ 5,1 bilhões nas despesas do programa Minha Casa, Minha Vida, que passou de R$ 12,7 bilhões para R$ 7,6 bilhões em 2011.

O segundo maior corte ocorreu no ministério da Defesa, com R$ 4,38 bilhões. O terceiro maior foi no ministério da Educação, com R$ 3,10 bilhões, seguido de Turismo, com R$ 3,08 bilhões, Transportes, com R$ 2,39 bilhões, Integração Nacional, com R$ 1,82 bilhão, Justiça, com R$ 1,53 bilhão, Esportes, com R$ 1,52 bilhão, Agricultura, com R$ 1,47 bilhão.

No grupo de ministérios com cortes abaixo de R$ 1 bilhão se destacam Ciência e Tecnologia (R$ 953 milhões), Desenvolvimento Agrário (R$ 929 milhões) e Fazenda (R$ 803 milhões).

notícia retirada de: http://economia.estadao.com.br/noticias/economia,corte-em-educacao-esta-entre-os-tres-maiores--com-r-3-1-bi-de-redueccedi,not_56902,0.htm

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Assim, como se garantir uma educação pública e de qualidade?
Ou alguém acha que a realidade atual da educação no Brasil é de cortes?
Precisamos é de mais investimento, isso sim!

Por isso, nós da ANEL seguimos na luta para que o governo Dilma garanta 10% do PIB pra educação!
Nenhum centavo a menos!


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

NÃO ao aumento da passagem em Fortaleza!

Nessa quarta-feira (23/02) foi anunciado um aumento no preço da passagem de R$1,80 para R$2,00. Empresários alegam que a mudança seria para cobrir supostos prejuízos devido o reajuste de 7% no salário dos motoristas e cobradores.

Ora, quem anda de ônibus em Fortaleza sabe da realidade diária de ônibus superlotados, filas, espera e insegurança.
E diante dessa realidade, o que na verdade está proposto pelo Sindiônibus (sindicato dos empresários do transporte) e pela Prefeitura (que mostra assim de que lado está, o dos empresários) é um aumento de 11,1% no valor da tarifa, um dos maiores aumentos do país neste último período! O mais absurdo é que esses aumentos ocorrem junto com um aumento irrisório do salário mínimo para R$545 (de cerca de 6,8%) enquanto o salário dos parlamentares aumentou 62%.

Diante disso, nós da ANEL nos posicionamos categoricamente CONTRA esse aumento na passagem em Fortaleza. Os empresários recebem isenções fiscais do governo do Estado e do Município e já lucram demais com o sofrimento dos estudantes e trabalhadores (inclusive os rodoviários!) que diariamente se locomovem em ônibus lotados e de péssima qualidade.

Além disso, acreditamos que o governos Dilma deve sancionar uma lei federal garantindo Passe-Livre para todos os estudantes e desempregados do país, como parte importante da garantia do acesso ao emprego, educação, saúde, cultura e lazer. O passe livre já é uma realidade em grandes cidades, como o Rio de Janeiro, tendo sido conquistado com muita luta e mobilização!

>Contra o aumento de passagem em Fortaleza!

>Passe Livre JÁ para estudantes e desempregados!


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DEVEMOS PROTESTAR!
Em conjunto com a CSP-Conlutas e o SINTRO,
A ANEL-CE convida a tod@s a vir lutar
contra a proposta do Sindiônibus e da Prefeitura
e participar de um
ATO CONTRA O AUMENTO DA PASSAGEM
esta quinta-feira (24/02),
às 14h,
no Terminal do Papicu!

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Vem ai...1ºCongresso Nacional da Anel!
A Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL) é uma entidade do movimento estudantil que foi criada em 2009. Desde então, vem construindo diversas pautas, entre as quais a luta contra os aumentos de passagem, que impulsionou em várias cidades, como SP, RJ e BH
Em junho, no RJ, a ANEL realizará seu 1º Congresso Nacional, momento muito oportuno para unificarmos as lutas contra o aumento de passagem, pelo passe livre nacional e em defesa de um transporte público de qualidade!
A organização do 1º. Congresso da ANEL e o debate em torno a ele começam desde já!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Estudantes da URCA vão à luta!


Nesta Sexta-feira(18/02), os estudantes da URCA Campus Pimenta (Crato), membros da ANEL, C.A de Pedagogia e independentes de diversos cursos cumpriram com mais uma atividade do calendário de mobilizações.
Logo pela manhã, após o intervalo, começou um arrastão passando em sala, dialogando com os estudantes acerca da necessidade de pressionarmos a reitoria cobrando a nomeação dos 52 professores que passaram no último concurso público - Concurso este que é uma vitória da mobilização dos estudantes e do SINDURCA. A adesão foi boa, levando em consideração o esvaziamento normal de final de semestre letivo. Em marcha, entoando palavras de ordem do tipo "Ô Reitoria, assim não dá! Sem professor o meu curso vai parar!" e "É ou não é piada de salão, ter dinheiro pra aquário, mas não ter pra educação!?", seguimos até o gramado da reitoria, cobrando explicações. A força do movimento fez com que fôssemos convidados a ter uma reunião com o Reitor e alguns pró-reitores. De encaminhamento, tivemos a resposta de que esses professores seriam nomeados em 8 dias e após isso tomariam posse. A reitoria, demonstrando sua total falta de autonomia em relação ao Governo do Estado - natural, pois é o Governador quem indica o Magnífico, já que não temos eleições diretas - disse que não haverá possibilidade de mais concursos pra suprir as vagas e as carências dos cursos. Ou seja: continuará tudo do jeito que está, de acordo com a conveniência do Governador.
Mas nós saímos desta reunião fortalecidos, sabendo que essa é apenas mais uma batalha da verdadeira guerra que teremos que travar contra a política de desmonte de nossa educação! A ANEL, no dia de ontem, lançou oficialmente na URCA a campanha "Quem dera ser um peixe", denunciando o absurdo de se gastar 150 milhões no aquário da beira-mar de Fortaleza e não fazer concurso para as Estaduais.
Nós estudantes manteremo-nos mobilizados e conseguindo mais vitórias, como a da abertura do Restaurante Universitário, do semestre passado. Pois sabemos que só com muita luta que mudaremos nossas vidas!
Assistão o vídeo da manifestação do dia 10/02 que marcou o início do calendário de manifestações contra essa educação de chiqueiro que o governador Cid Gomes está promovendo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Governo Dilma anuncia corte de R$ 1 bilhão na educação


O ano de 2011 inicia e o novo governo de Dilma anunciou mais um ataque à população brasileira. Dessa vez os cortes de gastos no serviço público federal irão chegar a R$ 50 bilhões. A medida foi apresentada na última sexta-feira pelo ministro da Educação Fernando Haddad após reunião com a ministra do Planejamento Mirian Belchior quem aconselhou o corte.


A tesourada representará 1,3% a menos no orçamento do ensino público. O equivalente a R$ 1 bilhão*. Dinheiro que vai faltar na manutenção do ensino federal e principalmente na abertura de novos concursos públicos para contratação de efetivos para suprir a falta de funcionários e professores nas universidades.

O caso pior são o dos cursos do REUNI, pois segundo o governo por falta de verbas os 3.500 professores que deveriam ser efetivados pro concurso público serão contratados por regime temporário, ou seja, uma verdade operação “tapa buraco” do MEC vai ser feitas nos próximos dias.

Os 10% garantidos na Constituição Brasileira não são respeitados

Nesse ano que passou a ANEL lançou na plenária de Santos - SP a “Campanha Nacional pela Qualidade no Ensino”. Em diversos estados os ativistas da Assembléia Nacional dos Estudantes Livres realizaram atos e audiências públicas com reitorias para discutir a melhoria do ensino. Este ano o orçamento do MEC seria de 72,8 bilhões e o governo apresentou o rebaixamento para 71,8 bilhões, o que não ultrapassa os 4% do PIB – Produto Interno Bruto brasileiro. A Constituição Federal obriga os governos federais a investirem 10% do PIB, porém durante a década de 90, o governo FHC criou a lei de desregulamentação e passou a investir apenas cerca de 4% do PIB desviando o restante para o pagamento da dívida externa.

Lula não mudou a situação da educação. Dilma prossegue com os ataques e cortes

A grande esperança dos movimentos sociais principalmente o movimento da educação e estudantil era de que Lula ao ser eleito fosse por fim ao sucateamento sofrido pela educação. Porém Lula frustrou aos movimentos e continuou a investir apenas 4% do PIB na educação e principalmente acelerou o processo iniciado por FHC de privatizar as escolas e universidades. Segundo o Sindicato Nacional dos Professores do Ensino Superior – ANDES entidade filiada a CSP-CONLUTAS, o grande problema da educação é o seu financiamento, ou seja, se respeitássemos o investimento de 10% do PIB a situação seria outra no Brasil.

Mobilizar os estudantes contras os ataques

Um papel importante vem cumprindo a ANEL em todo o país através de atos e atividades promovidas pelas assembléias estaduais e executivas. Do outro lado da trincheira está a UNE – União Nacional dos Estudantes. A UNE cumpre um papel cada vez mais sórdido no movimento estudantil. Nos últimos 10 anos a UNE foi incapaz de realizar qualquer questionamento aos cortes de gastos na educação. Pelo contrário demonstrou profundo apoio todas as vezes que o governo anunciou diminuição dos recursos para os serviços públicos.

É por isso que os ativistas da ANEL romperam com essa entidade burocratizada e atrelada ao governo incapaz de questionar qualquer medida do governo federal e vieram construir uma entidade que realmente proteste pela melhoria na educação. Uma educação de qualidade e a serviço dos trabalhadores.


Texto de Walter Santos – estudante de Ciências Sociais da UFPA e membro da executiva paraense da Assembleia Nacional dos Estudantes Livres

retirado de: http://anelivre.blogspot.com/2011/02/educacao.html

*http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/02/12/corte-no-ministerio-da-educacao-sera-de-1-bilhao-362797.asp

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Qualidade de ensino e assistência estudantil nas pagas: existe?

Enquanto isso no lustre do castelo...
Hoje, em quase todos os países do mundo, há uma transformação dos sistemas educacionais. No Brasil não é diferente e o cenário das faculdades privadas de Fortaleza não é dos mais animadores: milhões de estudantes acabam sendo obrigados a entrar nas faculdades particulares, por não conseguirem conquistar as reduzidas vagas nas universidades públicas.

A maioria desses estudantes são trabalhadores e trabalhadoras que precisam pagar caro par a adquirem uma formação em nível superior e para conseguir um estágio na sua área. Para agravar a nossa situação, ainda temos, durante todo o curso, gastos que somam-se às caríssimas mensalidades e matrículas, como xerox de apostilas, livros, jaleco para alguns cursos como educação física, enfermagem... Temos que pagar caro pelo almoço ou mesmo jantar na cantina, o que não sai nada barato porque não existe um restaurante universitário com preços acessíveis aos estudantes, que muitas vezes saem da faculdade para trabalhar ou chegam à noite na faculdade para assistir a aulas vindo direto do trabalho.

Além disso, não temos creches nas faculdades para as mães deixarem seus filhos, razão pela quais muitas estudantes têm que parar de estudar para cuidarem de seus filhos. O que parece um sonho distante, é na verdade uma necessidade para que muitas estudantes mães possam continuar realizando os seus estudos. A verdade é que nossa reivindicação por creches também está em total acordo com a estrutura organizativa do ensino superior, a qual deve(ria) ser baseada no tripé ensino-pesquisa-extensão, visto que cursos como educação física, enfermagem, psicologia e pedagogia poderiam utilizar a creche como espaço de atividades práticas em seu processo formativo.

Por último, apontamos a ausência de qualquer assistência por parte de nossas instituições no sentido de nos permitir participar de atividades pertinentes a nossa formação, como: encontros de estudantes, congressos e seminários.

São por essas razões expostas acima que reivindicamos um programa de assistência estudantil nas Faculdades, Institutos e Universidades privadas.


Aonde vamos parar???
Nessa sociedade marcada por altas taxas de desemprego, a concorrência das faculdades pagas aumenta a cada dia e nós estudantes é que pagamos pelo preço!!!

Somos obrigados á pagar por uma educação que é um verdadeiro “escolão” de conhecimentos gerais que formam indivíduos polivalentes, flexíveis e adaptáveis para o mercado.

Por isso o COLETIVO PAGAS convida a todas e todos os estudantes para participarem das reuniões do coletivo!


A Educação não é mercadoria!!!!!

Texto escrito por Danielle Sampaio, estudante de Educação Física da Faculdade Integrada do Ceará (FIC) e membro de um coletivo de estudantes de pagas formado ano passado (2010), por ocasião do 1º Seminário de Pagas -que teve entre seus construtores a ANEL-CE e o Coletivo Enecos-CE.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Passagem (não) pode subir para R$ 2,20 em Fortaleza!

Segundo matéria retirado do Diário do Nordeste (para ver, clicar aqui), nessa terça (08/02), aconteceu uma reunião no Paço Municipal de Fortaleza entre a prefeita Luizianne Lins, o presidente da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), Ademar Gondim, e representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus).
Nessa reunião, o Sindiônibus colocou a proposta de que a passagem em Fortaleza seja aumentada para
R$2,20 (atualmente ela é de R$1,80), o que representaria um aumento de 22% - o maior aumento percentual de passagens de ônibus do País. Em São Paulo o reajuste foi de 11%, no Rio 6,4%, Belo Horizonte 6,5%, Porto Alegre 10,20%, Recife 8,66% Salvador 8,6% e Natal 10%.
Os empresários alegam que a nova tarifa seria para cobrir os custos decorrentes do reajuste de 7% no salário dos motoristas e cobradores, concedido peja Justiça do Trabalho no final do ano passado. A Etufor por sua vez, coloca que fará uma análise das argumentações do Sindiônibus que será repassada para a prefeita Luizianne Lins, para que ela conduza todo o processo e decida se a passagem sofrerá aumento ou não.

Diante disso, segue abaixo a posição nacional da Anel sobre o tema, a qual a Anel-CE reafirma na luta contra o aumento de passagem em Fortaleza!:

Lutar contra os aumentos das passagens de ônibus em todo o país e batalhar pelo Passe Livre Nacional!

Dezenas de cidades do país estão aumentando o preço de suas tarifas de ônibus. São Paulo e Aracaju apresentam os aumentos mais abusivos, com reajustes de 11,11% e 16%, respectivamente. Salvador e Recife também encabeçam os grandes aumentos, com um reajuste de 8,6%, em ambas as cidades. São Paulo é a maior tarifa do Brasil – 3 REAIS (!) - e Salvador, a maior tarifa do Nordeste.

Com isso, a maior parte da população brasileira vai pagar uma conta que não é sua. Prefeituras e governos estaduais têm suas campanhas eleitorais financiadas por empresários do transporte que aguardam ansiosamente o início do ano, quando têm esse “favor” devolvido. O que é mais absurdo é que esses aumentos ocorrem junto com um aumento irrisório do salário mínimo, que significa apenas 1 real a mais por dia, e o aumento da passagem foi de sessenta centavos – isso se for usado apenas 1 ônibus pra ir e 1 ônibus pra voltar.

A juventude brasileira sofre seriamente as conseqüências desses aumentos. Ter acesso ao emprego, educação, saúde, cultura e lazer significa também garantir que os jovens possam se locomover nas cidades. O transporte público é um direito da população e um dever do Estado.

Desde a década de 1960, as empresas de transporte começaram a tomar conta deste setor e com isso, o que passou a vigorar sobre as tarifas, sobre as condições dos ônibus e sobre as condições de trabalho dos motoristas e cobradores foi a lógica do lucro. Ao mesmo tempo em que as linhas de ônibus são insuficientes, com ônibus lotados, com péssimos salários aos trabalhadores do setor, as passagens estão ficando cada vez mais caras. Da década de 1960 para cá, a privatização tomou conta do transporte público brasileiro, transformando um direito muito caro à população em uma mercadoria.


PASSE LIVRE JÁ BRASIL!

No entanto, o aumento abusivo e a necessidade de combatê-lo não pode deixar de lado uma luta justa e necessária, que temos de construir através das mobilizações que ocorrem em algumas cidades do país. O Passe Livre para a juventude e para os desempregados é parte importante da garantia do acesso ao emprego, educação, saúde, cultura e lazer.

O direito ao Passe Livre é uma responsabilidade do Estado, portanto, o governo de Dilma Roussef deveria emitir uma Lei Nacional que garanta a existência e o financiamento desse direito para todos os jovens e desempregados, o que infelizmente não vimos acontecer durante os 8 anos de governo Lula. Os trabalhadores deveriam pagar tarifas que estivessem de fato relacionadas à manutenção dos ônibus, o que seria possível se o Estado fosse o responsável por garantir esse direito à população.

O Passe Livre está longe de ser uma utopia, afinal grandes cidades do país, como o Rio de Janeiro, já possuem o Passe Livre, conquistado com grandes lutas e mobilizações de jovens e trabalhadores. Esses exemplos devem ser combustíveis para nossa luta atual em São Paulo, Salvador, Recife, Aracaju, Curitiba, etc. A ANEL está e estará sempre presente com força em defesa de mais esse direito da juventude brasileira.


- Contra o aumento das passagens de ônibus!

- Passe Livre Já Brasil! Para estudantes e desempregados!

- Estatização imediata do Transporte público!